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Saturday Mornings | A Alma do Blues | Lisboa & Porto

2026-06-12
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A Alma do Blues

Nos dias 20 e 27 de junho, a Imacustica dedica a próxima edição dos Saturday Mornings ao blues: não como exercício enciclopédico, nem como tentativa de reunir todos os seus nomes essenciais, mas como uma viagem possível por algumas das suas paisagens sonoras mais marcantes.

A sessão terá lugar na Imacustica Lisboa, no dia 20 de junho, e na Imacustica Porto, no dia 27 de junho. Como habitualmente, as sessões de escuta comentada serão conduzidas por Carlos Saraiva, desta vez através de um programa musical dedicado à evolução do blues ao longo de cerca de três décadas, desde as gravações pré-guerra até ao final dos anos 60.

Qualquer seleção de blues é, inevitavelmente, injusta.

Não por falta de critério, mas porque os grandes ausentes seriam suficientes para preencher várias manhãs de escuta. O blues é uma linguagem vasta, profunda e múltipla, feita de vozes, guitarras, harmónicas, cidades, estradas, dor, resistência, invenção e liberdade.

Por isso, esta sessão não pretende contar "a história completa” do blues.

Pretende antes propor uma travessia: uma escuta orientada por intérpretes, gravações e momentos que ajudam a perceber como esta música evoluiu de canto rural acústico para uma força eléctrica decisiva na construção da música popular da segunda metade do século XX.

Do Delta ao Texas, passando por Chicago

O percurso começa nas gravações pré-guerra, num blues ainda profundamente ligado à oralidade, ao território e à expressão individual. A guitarra acústica, a voz, a harmónica e o espaço entre estes elementos bastavam para criar mundos inteiros.

É nesse contexto que surgem figuras como Robert Johnson ou Pink Anderson, entre muitos outros nomes que ajudaram a fixar uma linguagem feita de repetição, tensão, lamento e intensidade emocional.

Mas o blues nunca ficou parado.

Com a migração para os centros urbanos, com a amplificação dos instrumentos e com a transformação dos hábitos de escuta, a música ganhou outra escala. A guitarra eléctrica começou a assumir um papel central. O som tornou-se mais directo, mais físico, mais urgente.

Chicago tornou-se uma das grandes cidades dessa transformação.

E, mais tarde, o Texas acrescentaria outra dimensão: mais cortante, mais luminosa, mais expansiva, marcada por guitarras que transformaram o blues numa linguagem eléctrica de enorme expressividade.

Dos graves do Delta aos médios de Chicago, até aos agudos do Texas, esta sessão acompanha o blues como matéria viva: uma música que muda de forma, mas nunca perde a sua alma.

A invenção de uma linguagem moderna

Entre as décadas de 30 e 60, o blues atravessa uma das suas fases mais transformadoras.

A electricidade muda tudo.

Não apenas o volume, mas a própria forma de tocar. A guitarra deixa de ser apenas acompanhamento e passa a afirmar-se como voz principal, com fraseado, resposta, ataque, distorção, silêncio e presença.

É neste caminho que encontramos protagonistas fundamentais como Buddy Guy e Junior Wells, entre muitos outros intérpretes que ajudaram a levar o blues para uma dimensão mais urbana, mais intensa e mais próxima daquilo que viria a influenciar decisivamente o rock, o soul, o jazz eléctrico e o blues-rock.

O blues torna-se, assim, uma espécie de matéria-prima da música moderna.

Está na base de muita coisa que veio depois.

Na tensão da guitarra.
Na liberdade do improviso.
Na voz rasgada.
No ritmo que insiste.
Na emoção que não precisa de ornamento para ser profunda.

Masters recentes, escuta renovada

Esta sessão será construída a partir de masters recentes utilizados em edições analógicas, permitindo uma aproximação particularmente cuidada a gravações de diferentes épocas.

Em música tão marcada pela textura, pela presença física da voz e pela expressividade do instrumento, a qualidade da fonte sonora faz diferença.

O ruído, a distância, a compressão, a rugosidade e o espaço da gravação fazem parte da experiência. Mas quando trabalhados com rigor, esses elementos deixam de ser apenas marcas do tempo e tornam-se parte viva da escuta.

A proposta é ouvir com atenção.

Perceber a respiração das vozes.
A tensão das cordas.
O lamento da harmónica.
A forma como uma guitarra responde a uma frase vocal.

Mais do que procurar perfeição sonora, trata-se de reconhecer a força de gravações que continuam a comunicar com uma verdade rara.

Uma escuta feita de diversidade e genialidade

Ao longo de pouco mais de uma hora, esta edição dos Saturday Mornings propõe uma viagem extraordinária por diferentes momentos, geografias e expressões do blues.

Do blues rural ao blues urbano.
Da guitarra acústica à electricidade.
Da raiz ao encontro com o jazz, o rhythm and blues e o blues-rock.

Não será uma aula definitiva, nem uma lista fechada de nomes obrigatórios.

Será uma escuta possível.

Uma forma de entrar num universo imenso através de alguns dos seus gestos mais intensos, das suas vozes mais marcantes e da sua capacidade única de transformar experiência humana em linguagem musical.

O blues não se explica apenas.
Ouve-se.
Sente-se.
Reconhece-se.

Mesmo quando muda de forma, continua a carregar a mesma força essencial.

Dois espaços, a mesma proposta

A edição dedicada ao blues terá lugar em dois momentos:

LISBOA — sábado, 20 de junho
Sistema de Áudio composto por:
Constellation Audio
E.A.T.
Transparent
Sonus faber

PORTO — sábado, 27 de junho
Sistema de Áudio composto por:
JBL
Audio Research
dCS
Michell
Nordost


Em ambos os espaços, a Imacustica propõe uma manhã dedicada à escuta atenta, ao encontro e à partilha em torno de uma das linguagens mais influentes da história da música moderna.

Será uma oportunidade para revisitar gravações fundamentais, ouvir com tempo e perceber como, em poucas décadas, o blues passou de expressão íntima e rural a energia eléctrica capaz de moldar gerações de músicos e ouvintes.

Inscrições Saturday Morning

Os lugares são limitados e a confirmação de presença é indispensável.

Para garantir o seu lugar, envie email para: